Para entrar num curso do ensino superior público através do Concurso Nacional de Acesso, os candidatos são ordenados por uma nota de candidatura, de 0 a 200. Perceber como essa nota se forma ajuda a decidir onde investir o esforço: na média do secundário, nas provas de ingresso, ou nas duas.
As regras deste guia são as do Guia Geral de Exames 2026 da DGE. Os pesos, as provas de ingresso e as notas mínimas de cada curso mudam de instituição para instituição e são publicados todos os anos pela DGES.
De que é feita a nota de candidatura
| Componente | Peso na nota de candidatura |
|---|---|
| Classificação final do ensino secundário | Não inferior a 40% |
| Provas de ingresso (exames nacionais) | Não inferior a 45% |
| Pré-requisitos de seriação, quando o curso os exige | Não superior a 15% |
Cada instituição escolhe os pesos exatos dentro destes limites, para cada curso. Quando um curso exige duas provas de ingresso, cada uma vale metade do peso das provas, a não ser que a instituição defina outra distribuição.
A média do secundário
Para o acesso, a classificação final do curso do secundário é calculada até às décimas, sem arredondamento, e convertida para a escala de 0 a 200. Uma média de 15,2 valores conta como 152 pontos.
Essa média resulta das classificações finais das disciplinas. Nas disciplinas com exame nacional feito como aluno interno, a classificação final da disciplina (CFD) é (7,5 × CIF + 2,5 × CE) ÷ 10: 75% da nota interna e 25% do exame. Para concluir o secundário nos cursos científico-humanísticos, os alunos fazem exame a Português e a duas disciplinas da formação específica.
As provas de ingresso
- Cada instituição fixa as provas de ingresso de cada curso, em regra no máximo duas, e pode aceitar até três conjuntos alternativos.
- As provas de ingresso são exames nacionais do secundário. Contam com os pontos exatos, sem arredondamento: um exame com 124 pontos vale 124 como prova de ingresso, mas 12 valores para a média da disciplina.
- Há uma classificação mínima nas provas de ingresso, fixada por cada instituição, que é sempre de pelo menos 95 pontos.
- Há também uma classificação mínima na própria nota de candidatura, independente da anterior.
- Para a candidatura de 2026, eram válidos exames feitos em 2022, 2023, 2024, 2025 ou 2026, e o Guia de 2026 usa precisamente esse exemplo.
Exemplo de cálculo, passo a passo
Exemplo ilustrativo, com valores inventados. Os pesos e as provas reais de cada curso estão nos guias de candidatura da DGES.
Um curso dá 50% à média do secundário e 50% às provas de ingresso, e exige duas provas: Matemática A e Física e Química A. A candidata tem média de 15,2 valores, 160 pontos em Matemática A e 140 pontos em Física e Química A.
| Passo | Cálculo | Resultado |
|---|---|---|
| Média do secundário em pontos | 15,2 × 10 | 152 |
| Peso da média (50%) | 152 × 0,50 | 76,0 |
| Matemática A (25%, metade das provas) | 160 × 0,25 | 40,0 |
| Física e Química A (25%) | 140 × 0,25 | 35,0 |
| Nota de candidatura | 76,0 + 40,0 + 35,0 | 151,0 |
Repare no efeito de cada componente: subir Matemática A de 160 para 180 pontos acrescenta 5 pontos à nota de candidatura. Para conseguir o mesmo pela média do secundário, seria preciso subi-la um valor inteiro, de 15,2 para 16,2, o que normalmente exige subir várias disciplinas ao longo de vários anos.
Como funciona o Concurso Nacional
- A candidatura é feita online, no site da DGES, com uma senha pedida nesse ano. A senha de anos anteriores não serve.
- É preciso a Ficha ENES, pedida na escola onde se fizeram os exames, que reúne as provas de ingresso válidas e a classificação do secundário.
- Em cada fase, cada candidato pode indicar até seis pares instituição/curso, por ordem de preferência.
- Há três fases. O Guia Geral de Exames 2026 previa: 1.ª fase de 21 de julho a 4 de agosto para estudantes com ensino secundário português (21 a 28 de julho para quem tem secundário estrangeiro), 2.ª fase de 25 de agosto a 3 de setembro e 3.ª fase de 23 a 25 de setembro. As datas de cada ano são confirmadas pela DGES.
Atenção aos exames da 2.ª fase
Um exame feito na 2.ª fase dos exames só pode ser usado como prova de ingresso a partir da 2.ª fase do concurso desse ano. Também só entra no cálculo da média do secundário para a 2.ª fase do concurso. Nos anos seguintes, já conta para qualquer fase. Para quem aposta numa melhoria em julho, isto muda a estratégia.
O que isto significa na prática
- Confirmar cedo, nos guias da DGES, as provas de ingresso e os pesos dos cursos pretendidos. Mudam de instituição para instituição.
- Como as provas valem pelo menos 45%, cada ponto num exame que é prova de ingresso pesa muito na candidatura.
- Não descurar a média: vale pelo menos 40% e acumula-se ao longo de três anos.
- Planear melhorias de exame a tempo, sabendo em que fase do concurso passam a contar.
Perguntas frequentes
Qual é o peso dos exames na média de acesso?
As provas de ingresso valem pelo menos 45% da nota de candidatura. Os exames também entram na média do secundário, através da classificação final das disciplinas (25% da CFD), e essa média vale pelo menos 40%.
Qual é a nota mínima para entrar num curso?
Há dois mínimos, fixados por cada instituição: um nas provas de ingresso, que é sempre de pelo menos 95 pontos, e outro na nota de candidatura. Estão nos guias de candidatura da DGES.
A média do secundário é arredondada?
Não. Para o acesso, é calculada até às décimas, sem arredondamento, e convertida para a escala de 0 a 200.
A quantos cursos me posso candidatar?
No concurso nacional, a até seis pares instituição/curso em cada fase, por ordem de preferência.
Posso usar exames de anos anteriores?
Sim. Na candidatura de 2026 eram válidos exames feitos de 2022 a 2026. Os de 2.ª fase têm as limitações explicadas acima no próprio ano.
