Como se calcula a média de acesso ao ensino superior (nota de candidatura)

A nota de candidatura junta a média do secundário e as provas de ingresso, com pesos que cada curso escolhe. Eis as regras oficiais e um exemplo completo.

André Nunes ·

Para entrar num curso do ensino superior público através do Concurso Nacional de Acesso, os candidatos são ordenados por uma nota de candidatura, de 0 a 200. Perceber como essa nota se forma ajuda a decidir onde investir o esforço: na média do secundário, nas provas de ingresso, ou nas duas.

As regras deste guia são as do Guia Geral de Exames 2026 da DGE. Os pesos, as provas de ingresso e as notas mínimas de cada curso mudam de instituição para instituição e são publicados todos os anos pela DGES.

De que é feita a nota de candidatura

ComponentePeso na nota de candidatura
Classificação final do ensino secundárioNão inferior a 40%
Provas de ingresso (exames nacionais)Não inferior a 45%
Pré-requisitos de seriação, quando o curso os exigeNão superior a 15%

Cada instituição escolhe os pesos exatos dentro destes limites, para cada curso. Quando um curso exige duas provas de ingresso, cada uma vale metade do peso das provas, a não ser que a instituição defina outra distribuição.

A média do secundário

Para o acesso, a classificação final do curso do secundário é calculada até às décimas, sem arredondamento, e convertida para a escala de 0 a 200. Uma média de 15,2 valores conta como 152 pontos.

Essa média resulta das classificações finais das disciplinas. Nas disciplinas com exame nacional feito como aluno interno, a classificação final da disciplina (CFD) é (7,5 × CIF + 2,5 × CE) ÷ 10: 75% da nota interna e 25% do exame. Para concluir o secundário nos cursos científico-humanísticos, os alunos fazem exame a Português e a duas disciplinas da formação específica.

As provas de ingresso

  • Cada instituição fixa as provas de ingresso de cada curso, em regra no máximo duas, e pode aceitar até três conjuntos alternativos.
  • As provas de ingresso são exames nacionais do secundário. Contam com os pontos exatos, sem arredondamento: um exame com 124 pontos vale 124 como prova de ingresso, mas 12 valores para a média da disciplina.
  • Há uma classificação mínima nas provas de ingresso, fixada por cada instituição, que é sempre de pelo menos 95 pontos.
  • Há também uma classificação mínima na própria nota de candidatura, independente da anterior.
  • Para a candidatura de 2026, eram válidos exames feitos em 2022, 2023, 2024, 2025 ou 2026, e o Guia de 2026 usa precisamente esse exemplo.

Exemplo de cálculo, passo a passo

Exemplo ilustrativo, com valores inventados. Os pesos e as provas reais de cada curso estão nos guias de candidatura da DGES.

Um curso dá 50% à média do secundário e 50% às provas de ingresso, e exige duas provas: Matemática A e Física e Química A. A candidata tem média de 15,2 valores, 160 pontos em Matemática A e 140 pontos em Física e Química A.

PassoCálculoResultado
Média do secundário em pontos15,2 × 10152
Peso da média (50%)152 × 0,5076,0
Matemática A (25%, metade das provas)160 × 0,2540,0
Física e Química A (25%)140 × 0,2535,0
Nota de candidatura76,0 + 40,0 + 35,0151,0

Repare no efeito de cada componente: subir Matemática A de 160 para 180 pontos acrescenta 5 pontos à nota de candidatura. Para conseguir o mesmo pela média do secundário, seria preciso subi-la um valor inteiro, de 15,2 para 16,2, o que normalmente exige subir várias disciplinas ao longo de vários anos.

Como funciona o Concurso Nacional

  • A candidatura é feita online, no site da DGES, com uma senha pedida nesse ano. A senha de anos anteriores não serve.
  • É preciso a Ficha ENES, pedida na escola onde se fizeram os exames, que reúne as provas de ingresso válidas e a classificação do secundário.
  • Em cada fase, cada candidato pode indicar até seis pares instituição/curso, por ordem de preferência.
  • Há três fases. O Guia Geral de Exames 2026 previa: 1.ª fase de 21 de julho a 4 de agosto para estudantes com ensino secundário português (21 a 28 de julho para quem tem secundário estrangeiro), 2.ª fase de 25 de agosto a 3 de setembro e 3.ª fase de 23 a 25 de setembro. As datas de cada ano são confirmadas pela DGES.

Atenção aos exames da 2.ª fase

Um exame feito na 2.ª fase dos exames só pode ser usado como prova de ingresso a partir da 2.ª fase do concurso desse ano. Também só entra no cálculo da média do secundário para a 2.ª fase do concurso. Nos anos seguintes, já conta para qualquer fase. Para quem aposta numa melhoria em julho, isto muda a estratégia.

O que isto significa na prática

  1. Confirmar cedo, nos guias da DGES, as provas de ingresso e os pesos dos cursos pretendidos. Mudam de instituição para instituição.
  2. Como as provas valem pelo menos 45%, cada ponto num exame que é prova de ingresso pesa muito na candidatura.
  3. Não descurar a média: vale pelo menos 40% e acumula-se ao longo de três anos.
  4. Planear melhorias de exame a tempo, sabendo em que fase do concurso passam a contar.

Perguntas frequentes

Qual é o peso dos exames na média de acesso?

As provas de ingresso valem pelo menos 45% da nota de candidatura. Os exames também entram na média do secundário, através da classificação final das disciplinas (25% da CFD), e essa média vale pelo menos 40%.

Qual é a nota mínima para entrar num curso?

Há dois mínimos, fixados por cada instituição: um nas provas de ingresso, que é sempre de pelo menos 95 pontos, e outro na nota de candidatura. Estão nos guias de candidatura da DGES.

A média do secundário é arredondada?

Não. Para o acesso, é calculada até às décimas, sem arredondamento, e convertida para a escala de 0 a 200.

A quantos cursos me posso candidatar?

No concurso nacional, a até seis pares instituição/curso em cada fase, por ordem de preferência.

Posso usar exames de anos anteriores?

Sim. Na candidatura de 2026 eram válidos exames feitos de 2022 a 2026. Os de 2.ª fase têm as limitações explicadas acima no próprio ano.

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Escrito por

André Nunes

Fundador da Noktua Academy. Licenciado em Matemática Aplicada e Computação (Instituto Superior Técnico), parte curricular do Mestrado em Probabilidades e Estatística concluída, +10 anos de aulas particulares.

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